De onde vem o medo?

Há alguns anos tenho me perguntado de onde vem isso, principalmente porque, como professora, meu maior objetivo é ajudar as pessoas a acabar com esse impedimento. De onde vem essa trava? E tenho observado que é por causa do medo. Medo de falhar. Medo de esquecer uma preposição, de conjugar um verbo errado, mas principalmente de fazer papel de tonto na frente de um estrangeiro.

Mas por que esse medo? A gente já não passou vergonha demais nessa vida pra saber que ninguém se importa muito? E que dali cinco minutos as pessoas vão estar rindo de outra coisa?

Um outro ponto importante é que se você acha que está falando inglês errado, já sabe mais do que muitas pessoas que nunca se deram o trabalho de aprender outros idiomas; significa que você tem mais coragem, mais destreza mental e mais acesso a cultura de uma maneira geral do que tinha antes de começar a estudar. Score!

Se isso ainda não é suficiente pra te fazer repensar o medo, veja esses dados de uma pesquisa de junho de 2017 feita pelo site Babbel:

  • 1.5 bilhão de pessoas no mundo falam inglês
  • 360 milhões são falantes nativos

Isso significa que as chances de você conversar em inglês com alguém que sabe tanto quanto você ou até menos são muito maiores do que de papear com um nativo. E isso quer dizer que, por mais que a pessoa saiba mais do que você, ela já passou pelas mesmas dificuldades que você tem, então vai ser muito mais compreensiva e paciente.

O medo é a única coisa que está impedindo você de tentar, porque conhecimento você provavelmente já tem. Defendo com unhas e dentes a ideia de que, mais importante do que decorar tabela de verbos e não precisar usar dicionário, é se sentir livre das próprias amarras para poder se expressar como puder, até o dia em que você puder se expressar como quiser.

Ninguém vai me entender!

O medo de não ser compreendido ao falar inglês ou escrever um email ou uma mensagem é quase que universal. Praticamente todo estudante de um outro idioma tem pavor de esquecer um auxiliar no meio da frase, não lembrar a palavra certa ou pronunciar de um jeito estranho.

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É óbvio que é muito importante ser o mais preciso possível, especialmente quando se trata de uma apresentação importante, um evento corporativo ou a redação de um contrato. Para isso, preparar-se com antecedência não só é importante; é fundamental.

Aprenda frases prontas no começo

Se seu medo vem da sensação de que ainda não está pronto para pensar em inglês e construir suas próprias ideias porque falta vocabulário, aprender frases prontas no começo como por exemplo para falar de si mesmo, pedir refeições ou até informações ajuda muito a ter mais segurança porque você não vai duvidar de si mesmo.

Praticar essas frases o máximo que puder garante mais confiança e disposição para falar desde o começo do seu aprendizado.

O app English Conversation Practice tem muitos diálogos com frases prontas e exercícios para você se colocar no lugar de um dos interlocutores.

Crie scripts 

Outro dia deixei no feed do meu Instagram uma dica de ouro: prepare scripts do que você vai precisar ou quer falar. Vai viajar? Prepare conversas que você pode ter na imigração, no aeroporto, no saguão do hotel, nos restaurantes, nas lojas, no Uber… Treine no gravador do seu celular até sentir segurança no que está pronunciando.

Vai atender telefonemas de estrangeiros? Prepare scripts sobre como anotar recados, transferir ligações, reagendar reuniões, etc. Pratique o máximo que puder; quando as situações acontecerem, você já estará preparado para a maioria delas e não precisará confiar na sua memória – que possivelmente vai falhar se você não usa aquelas palavras/frases há muito tempo.

Fale mais devagar

Muitos alunos ouvem filmes, músicas e videos e têm a falsa impressão de que para falar inglês bem é necessário falar rápido. A vontade de imitar os nativos faz com que nos atrapalhemos, porque o que acontece muitas vezes com quem ainda não tem muita prática é que acaba “comendo” alguns sons ou até palavras, e isso pode prejudicar o entendimento do interlocutor.

Policiar o nervosismo e falar mais devagar (mas com ritmo natural) é uma ótima maneira de começar a criar mais confiança, porque você tem mais certeza de que será entendido. O mais importante é ser compreendido, não falar igual um nativo. 

Para as três técnicas, o uso do gravador do seu celular é de ajuda inestimável. Treinar a pronúncia das palavras, a intonação de perguntas e a cadência das frases é indispensável para falar bem.

Portanto, criar coragem de falar não é algo que acontece da noite para o dia. Mas com essas três práticas, o treinamento direcionado vai ajudar a ter confiança muito mais rápido.